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A Volta da Volta!

Peço desculpas pelo sumiço. Assim que cheguei aqui em Lisboa, peguei um trabalho grande para o Brasil que me tomou praticamente todo o mês de Janeiro. Até consegui um pouco de tempo para passear por aqui e por ali, para levar meu pai para conhecer a “minha Lisboa” (a cidade em si ele já conhecia), mas não deu para colocar no papel, ou melhor, aqui na Revista, os relatos sobre os últimos dias.

Volto ao início do mês, na segunda segunda-feira de Janeiro, quando finalmente entreguei os trabalhos que devia ao Brasil e pude desembarcar a mente em terras lusas.

O dia amanheceu lindo e ensolarado depois de muitos dias de chuva, mas segundo a previsão meteorológica não permaneceria assim por mais de um par de horas. Com uma certa urgência por metabolizar vitamina D, pulamos da cama, vestimos camisetas por baixo dos casacos de lã, agarramos livros, água e uma mantinha e seguimos em passos firmes para o Jardim da Estrela. No caminho, paramos na Padaria Portuguesa ao lado de casa, afim de conseguir suprimentos. Dois croissants franceses e dois sucos de laranja para viagem. Com quatro euros a menos e uma cestinha de comida a mais, continuamos o caminho até o Jardim.

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Onze horas da manhã, o sol de inverno passava por entre as árvores centenárias enchendo o espaço com uma luz muito brilhante e esverdeada. Escolhemos um banco ensolarado e lá nos aboletamos para aproveitar nossos lanches e livros. Em volta, nos outros bancos, casais, todos com mais de setenta e cinco anos, pareciam repetir nossos gestos. Não que estivessem lendo ou comendo croissants, mas aproveitavam os minutos de forma passiva, estavam a observar o ar, a luz, a temperatura. Tínhamos todos aquela serenidade que só se tem na velhice e nas manhãs de domingo, e em plena segunda-feira.

Por volta de uma da tarde, quando adolescentes começaram a surgir de todos os lados, saídos das muitas escolas da região, e adultos em idade produtiva chegaram ao jardim afim de relaxar em seus horários de almoço, a sombra de uma das árvores atingiu nosso banco e decidimos partir. Pedro precisava escrever e foi para casa, eu, que me dei a semana de férias, fui fazer compras para o almoço.

Parei na Glood, uma mercearia que vende comidas do mundo, para escolher alguma coisa inusitada. Aliás, essa lojinha é uma boa dica para quem se muda para Lisboa. Vende feijão, tapioca, mate, cocada, açaí, entre muitos outros produtos brasileiros. É uma mão na roda para quando dá saudade de casa (apesar de mercados maiores, como o Pingo Doce, também venderem uma boa gama de comidas brasileiras). Na seção vietnamita, me deparei com um pacote daqueles papeis de arroz para fazer Dim Sum, lembrei de uma temporada em Londres quando passei uma semana inteira comendo apenas isso,  e resolvi arriscar. Em casa, joguei no google como preparar, procurei na geladeira ingredientes frescos para rechear e parti para o ataque. O preparo dos pasteizinhos é um pouco trabalhoso já que as folhas de papel de arroz são muito delicadas, mas vale o esforço. Os dim sums que preparei de legumes, cogumelos e queijo feta ficaram deliciosos além de super saudáveis.

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Meus Dim Sums. Não ficaram bonitos, mas ficaram gostosos!

Fiquei até na pilha de comprar aquelas cestinhas de bambu próprias para servir dim sum e guyosas para incrementar a apresentação em uma próxima tentativa.

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Cestinha. Foto roubada da BBC. ©James Martin

Passei o resto da tarde com meu pai a pesquisar destinos para os três dias de viagem que faríamos durante a semana. Visitamos umas locadoras de carro nas redondezas e acabamos por escolher uma chamada Cael, onde fomos bem atendidos e conseguimos o melhor preço para os três dias de aluguel de um carro compacto.

A chuva que prometeu chegar não veio e caminhamos sob as estrelas até o Jardim do Príncipe Real. A ideia era comer na ultra hypada A Cevicheria, mas estava lotada. Então seguimos para a Tascardoso, nossa tasquinha favorita. Para nossa decepção, um grupo de pessoas se aglomerava na porta, meio decidindo se iam entrar, meio que esperando na fila. Pedro não pensou duas vezes, meteu a cabeça para dentro do restaurante e fez o sinal de três lugares para o garçom. Imediatamente, como fieis frequentadores que somos, fomos colocados para dentro e acomodados no canto de uma das mesas comunitárias onde uma plaquinha dizia: reservado. “Sou imortal nessa Lisbola!”Gritou Pedro, emocionado.

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Pedimos peixes com legumes, é claro, e um vinho recomendado pelo garçom como excelente e muito barato. Atenção! Quando na Tascardoso, aceitar a recomendação de vinho, mas não o vinho da casa, esse é péssimo. Outra dica, sentar no salão de baixo, o salão de cima tem um cheiro estranho e o garçom não é tão maneiro quanto o do salão de baixo. Para fechar, um pudim excelente dividido em três, e a aguardente portuguesa que ganhamos de presente da casa. Uma noite em família gostosa para fechar um dia ensolarado.

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Então é Natal

Lisboa, 24 de Dezembro de 2015.

O dia acordou cinzento e frio. Pedro dorme profundamente, mas preciso levantar. Primeiro Natal na casa portuguesa com direito a ceia e família. Ainda falta fazer as compras, buscar o peixe, arrumar a mesa, comprar vinhos. Melhor acordar o Pedro. Ele me olha ainda com os olhos vermelhos eu respondo já pedindo desculpas e tentando, com carinho, tirá-lo da cama. Ele não se opõe muito.

Luiza está acordada, sei pelo barulho do chuveiro ligado no outro banheiro. Tomara que a água quente dê para todo mundo. Que feio, Vitória, olha esse egoísmo, penso. Preciso me acostumar com essa vida de banho controlado. :/

Descemos. Luiza preparou a mesa do café da manhã. Sanduíches da Padaria Portuguesa e sucos de laranja. Comemos. Ela vai dar uma volta enquanto começamos a cuidar dos preparativos.

Primeiro, Pedro corre até a Peixaria Centenária para buscar o peixe que tínhamos encomendado. Quando ele volta, um susto, os dois quilos e duzentos gramas de peixe custaram sessenta e oito euros. Acho tão caro, mas sei lá. Segundo os peixeiros o mar não estava bom e faltaram variedades. De qualquer forma, era um peixe muito, mas muito mesmo, especial. Bem, é Natal, vamos aproveitar.12369251_916076251775341_7117812982399335701_n

Segunda parada: Supermercado Pingo Doce. O Pingo Doce é meu mercado favorito, tem um ótimo perto de casa, gosto mais dele do que do enfeitado mercado-deli do El Corte Inglés. Enchemos a sacola que Pedro carrega penosamente nas costa até em casa. Nunca aqueles quinhentos metros que nos separam do mercado foram tão longos.

Arrumo a mesa com os poucos pratos e talheres que temos, mas com muito amor, fica uma graça.1620835_890260361023597_7719602970061056880_n

Começo os preparativos. Luiza chega e assume as batatas enquanto preparo os legumes, arroz e temperos. Decido preparar o peixe. Ele é tão pesado que quando puxo da geladeira traz junto a prateleira atirando lá de cima o pote que tinha preparado com vários tipos de azeitona. Por sorte, a lixeira estava aberta bem embaixo da geladeira, e o pote se espatifa já dentro dela. Um milagre de Natal. Quando tiramos o peixe do saco esperando postas levamos um susto. Um peixe inteiro, muito grande e muito fresco nos olha fixamente. Ficamos nervosas. Toda a nossa frescurite bate e decidimos tomar uma taça de vinho antes de seguir em frente. Cheia de coragem arrumo o peixe com uma folha de papel laminado direto sobre a própria travessa do forno. Sigo as instruções de Tânia, da peixaria, e não exagero nos temperos para não mascarar o sabor excelente da Dourada do Mar. Alguns dentes de alho, salsinha, azeite e sal. O peixão e as batatas seguem para o forno. Organizamos a cozinha e bebemos nossas taças de vinho branco. Toca a campainha, são Johnny e Patrícia, chegando. Pedro desce correndo do banho para recebê-los. Chegou a hora, nosso primeiro jantar lusitano de Natal.

A primeira Ikea a gente nunca esquece

Lisboa, 09 de Dezembro de 2015.

Do lado de fora, quinze graus. Depois de quase doze horas de sono, levantamos da caminha de colchonetes improvisada que, honestamente, bateu um bolão. Nosso primeiro dia útil na casa nova, nossa primeira ida a Ikea.

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Pegamos um táxi na avenida perto de casa e tivemos nosso primeiro choque de realidade relacionado à distâncias. A Ikea fica em Alfragide, uma zona considerada bastante afastada. Demoramos exatos doze  minutos até lá , isso saindo da nossa casa que fica em uma região bem central. No Rio, esse percurso seria considerado extremamente curto. Aqui é longo. Proporção é uma coisa curiosa e tenho certeza que daqui a um mês estaremos achando dois quilômetros uma distância considerável. Aguardemos.

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Pedro experimenta colchão.

Já na entrada, ficamos zonzos. A Ikea é um galpão gigante, dividido em dois andares. No segundo piso, ficam expostos os quartos montados, peças grandes de mobiliário e o restaurante (sim, um restaurante, porque você vai ficar mais tempo do que o planejado, sempre). No primeiro, os objetos, plantas e o imenso galpão onde estão os móveis separados em caixas para retirada.

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Pedro tentando me convencer que esse tapete era o certo.

Temos uma lista gigantesca nas mãos e apenas quatro horas para gastar lá dentro, já que marcamos uma reunião de trabalho no final da tarde e um jantar na casa de uma amiga durante a noite.

Depois de um breve reconhecimento de área seguimos até a parte de colchões e camas. Já tínhamos escolhido nossa cama favorita pela internet, essa parte foi fácil, só anotar no papelzinho o corredor e seção onde a cama “Malm” se encontra e depois passar lá para buscar. Já a escolha do colchão, ó céus, demorou quase duas horas.

Atrasados que estávamos, desmarcamos a reunião, sentamos para almoçar no bandejão sueco, comemos uma comidinha bastante honesta (obrigada, Ikea!) e seguimos nossa busca por pratos, copos, travesseiros e etc.

Seis horas depois, com os pés latejantes e cabeças zonzas, decidimos que era hora de parar.

Dica importante: Não espere sua energia acabar para parar, a parte mais difícil ainda está por vir.

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Pausa para os pés descansarem.

Mesmo contratando o serviço de entrega, quem busca os móveis no imenso galpão é você. Depois, precisa passar com as enormes caixas de papelão que compõe os seus móveis pelo caixa de pagamento e só então levá-las até o balcão do serviço de entrega. É claro que todo esse processo demorou mais uma hora e meia e só fomos nos ver livres para voltar para casa quando já deveríamos estar prontos para o jantar na casa da Maria João.

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Exaustos, mas felizes com as primeiras aquisições para a casa nova, chegamos em casa, largamos as sacolas repletas de pequenos objetos domésticos na entrada e seguimos para Belém, onde a nossa querida amiga nos recebeu com muito carinho, vinho e um delicioso arroz de pato. Obrigada, Maria João.

 

 

 

A casa vazia

Longas horas dentro do avião. O arrependimento bate pela escolha da passagem mais barata com escala em Paris. Maldita escala, se o voo fosse direto já era para termos chegado há pelo menos quatro horas. Tudo bem, uma vez fora do avião, já terei esquecido essa sensação. Muitas nuvens do lado de fora. Estou na poltrona do meio, o passageiro ao meu lado fica claramente constrangido quando olho em sua direção para enxergar o que há do lado de fora da janela. Não estou nem aí. Por que escolheu a janela se prefere não olhar? Espero pacientemente que as nuvens se abram. Cadeiras na posição vertical. Estamos descendo. Leve turbulência. Um raio de sol. Uma montanha. Os telhados vermelhos, uma dezena deles, uma centena, milhares. Tocamos o chão. Lá fora tempo parcialmente encoberto  e dezessete graus celsius.

Sejam bem-vindos, chegamos em Lisboa.

As largas avenidas entre o aeroporto e a região da Estrela tem uma nova cara agora que são as avenidas da minha cidade. Mesmo conhecendo bem Lisboa, tudo me parece novo. Chego com novos olhos, vendo casa onde via férias.

A porta do elevador se abre. Acerto a chave de primeira. O apartamento vazio cheira a madeira e produto de limpeza. Paula, nossa amiga querida, deixou pães, biscoitos, água, queijo, uma mesa, duas cadeiras, um colchonete, travesseiros e edredom. Mais que um kit de sobrevivência, um enorme carinho.

Mesmo assim o vazio é grande e assusta. Sento no chão de madeira da sala e respiro por alguns instantes. Sou invadida por uma mistura de alegria e esperança. Tanto espaço para dançar.

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Hora de tomar o primeiro banho na casa nova. Mas quem disse que tem água quente? Tentamos de tudo, nada funciona. Não era para isso acontecer. Precisamos de um técnico. É feriado. Feriado!? ! De quê? Algum santo, parece. Então ligamos o aquecimento, deixamos o quarto a trinta graus e tomamos um banho frio. O que acha? Acho bom. Maravilha! Meia hora de aquecimento ligado e cai a luz de toda a casa. Fusíveis!!! Os disjuntores a desarmar. Não temos água quente, nem aquecimento. Sentamos no quarto vazio. Pedro encostado na parede com a cabeça entre as mãos sem saber o que fazer. A falta de comida, sono e banho começa a bater. Não dá para entregar os pontos. Vou encarar a água gelada. Pedro acha que sou louca. Tiro a roupa, entro no chuveiro, ligo a água. Sou louca. Mas não tenho como voltar atrás. Tomo um banho de três minutos. A água arde quando encontra a pele, mas compensa. Saio limpa e corajosa direto para baixo do cobertor. Pedro se anima e encara o banho. Estamos felizes. Tiramos uma soneca na cama improvisada. Quando despertamos já é noite.

Por volta das oito horas chegam os técnicos. Uma família, pai, mãe e filho. Constatam que a instalação elétrica junto ao fornecedor de energia foi feita em amperagem muito baixa. Nada que possam fazer. Precisamos entrar em contato com a GALP.

Como o que não tem remédio remediado está, colocamos nossos casacos e seguimos para um bom jantar na nossa querida Brasserie de L’Entrecôte. Sr. Guilherme estava lá e nos recebeu com o carinho habitual.

De volta ao apartamento, muito bem alimentados, não tínhamos frio, apenas a feliz sensação de mais um começo.  FullSizeRender-2

 

 

Estamos de Volta!

É tempo de voltar com a Revista Nômade, que já não está mais tão nômade assim. Ao contrário das outras vezes, agora viemos para ficar. Calma lá! Não, não abandonamos nossa pátria amada, idolatrada, salve, salve. Viemos dessa vez a trabalho. Mas ficaremos entre lá e cá. Tudo isso explicado, já devem ter percebido que essa nova fase da revista terá um tanto de viagem, mas outro tanto das alegrias e frustrações de montar um lar no além mar (que riminha infame).

É muito bom estra de volta. Sejam todos muito bem-vindos mais uma vez. Bora levantar velas e colocar essa revista para navegar.

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Dia 08 – Café, Trabalho e Ceviche

Perdão, viajantes! Já já voltarão os passeios.

Dia todo de trabalho. Já que não sou boba nem nada, marquei as reuniões em locais bonitos, bacanas e com boa comida.

Tudo pela Revista Nômade (e pela minha sanidade).

E ficam aqui boas dicas não só de comida como para se ter reuniões de trabalho! 😉

De 13h às 16h – A Cevicheria10430913_775246485864404_3519364345574553913_nA Cevicheria fica no Príncipe Real e serve… Ceviche! A onda do momento no Rio também pegou por aqui e desde o início do ano quando abriu suas lindas portas de vidro adornadas com peixes de metal o restaurante de ceviche do Príncipe Real tem feito enorme sucesso. O lugar é muito bem decorado, destaque absoluto para o polvo carnavalesco pendurado no teto. Os garçons são gatinhos. A comida é genial. Melhor ceviche que comi na vida, tudo muito fresco e inventivo. Sem mais. Pedir sem falta: Ceviche de Salmão. Leva tangerina e manga, é um acontecimento. Os quinotos (risotos de quinoa) também são excelentes. E aceite o couvert, o pão de milho é uma delícia. Agora atenção! Para reuniões apenas durante as tardes de dias úteis. Durante a noite o lugar fica abarrotado e o clima é de festa.

11061310_819615238094195_1707035323062995810_nDas 17h às 19h – Café Lisboa

D14A42192Mais um restaurante do genial José Avillez no Chiado. Esse fica dentro do teatro São Carlos, é o café do Teatro. Decoração clássica e muito elegante como a localização sugere. Ótimas sugestões de doces e cafés, sopas, pratos mais consistentes e saladas. Um pouco caro, mas muito bom.

O vento continua soprando. Frio as pampas. Findado o dia de trabalho fomos aos passeios pelo Chiado. Mas logo jogamos a toalha. Saber a hora de descansar é essencial para uma viagem longa.

Dia 07 – Reuniões e Trabalho

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Trabalho nas férias?

Viagem no trabalho?

Trabalho de viagem?

Viagem à trabalho?

Tudo isso.

Reuniões e muito trabalho.

O vento continua forte o que faz menos pesarosa a necessidade de ficar entre portas fechadas.

Pausa para o café com a querida Paula no Pão de Canela.

Mais trabalho.

Pequena andança no Príncipe Real.

Mais trabalho.

Noite.

Fome braba.

Muito frio. Partiu Tascardoso que é aqui do lado.

Eu e Pedro finalmente de bobeira.

Mesas coladas, atendimento simpático, peixes deliciosos, vinho, melhor azeitona do mundo, pudim, vinho de sobremesa por conta da casa.

Como saio dessa cadeira?

Rolando se chega em casa.

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